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30 junho 2016

"A MINHA DOR"


"A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal ...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias ...
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ..."

                                               
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"(Citador)

20 outubro 2015

REZA

Caio …caio… e caio
Procuro e não encontro
Levanto-me…
No coração um estrondo
Nas mãos, lágrimas secas
No peito o tédio
No fundo me escondo
Maldito infortúnio
Que em meus olhos pegas
Espalhas tristeza
E com habilidade cegas-me
Estou cansada…
Dói-me a cabeça…
Dói-me o corpo…
Mas apesar do infortúnio


A alma ainda reza.

05 outubro 2012

AMOR A PORTUGAL




 O DOS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.
              
 «Para Pessoa, Portugal é o rosto da Europa, aquele que “fita” (o verbo fitar aparece três vezes neste pequeno poema, como se de uma verdadeira obsessão europeia e portuguesa se tratasse), o mar ocidental, seu destino, seu futuro (e futura glória e dor, como sabemos e Pessoa reafirmará)

in - http://www.prof2000.pt/users/secjeste/dlrc/SeucSec/Unid12/Pg002300.htm